ELVIRA VIGNA – NADA A DIZER (Companhia das Letras, 2010, 168p.)
Opiniões sobre o livro:
mande um comentário sobre o livro.
(não vou identificar você, a menos que você queira).
e me dê algum endereço físico.
te envio, de agradecimento, um exemplar do ’a um passo’.
não tenho muitos, porém.
e quando acabar, bem, acabou…
o email é:
evigna@vigna.com.br
Anna Luisa Araújo (identificação permitida):
Estou adorando. Passei a tarde hoje dividida entre ler seu romance e escrever o meu. Na verdade, faz tempo que eu não curto um livro, qualquer livro, tanto assim. Não consigo largar do seu romance. Voltei na Travessa hoje ostensivamente para escrever, mas acabei lendo mais do que escrevendo. A cena em que o Paulo admite para a narradora que está tendo um caso me deixou de queixo caído. E depois de terminar esse capítulo, tive de levantar e andar pela livraria porque não dava para ficar quieta na cadeira depois de ler aquilo. As coisas que mexem muito comigo me obrigam a levantar, me movimentar, fazer algo com a energia que me preenche nessas horas. Me deu uma inveja profunda de você, o que na prática quer dizer que eu queria ter escrito esse livro. Ou pelo menos de escrever um livro que consiga mexer com as pessoas como esse está mexendo comigo. E olha que eu ainda nem terminei a leitura. Mas esse é um livro que, com certeza, vai se juntar ao muy restrito grupo de livros que eu leio de novo e de novo.
Depoimentos pessoais:
M.H.:
“Concordo que seja assim, mas penso que há muita coisa entre o desejo de viver plenamente essa relação de intimidade e verdade com o outro que você defende, e vivê-la efetivamente durante um longo tempo de convivência, onde outros fatores vão tornando mais difícil a tomada de decisão com relação à separação para viver outra nova relação. Não é tão fácil a gente enfrentar uma separação, optar, decidir. E também existem os enganos, as idealizações, os momentos de carência, de auto-estima, os distúrbios emocionais e afetivos etc etc etc, fatores que nos impulsionam para o desejo de viver outras relações.
Já vivi essa situação com o M. ( meu marido) e confesso que se eu não admitisse o adultério ( como uma coisa que pode acontecer com os mortais) e não fosse capaz de perdoar, teria perdido a oportunidade de viver mais 11 anos de um casamento feliz. Sofri, mas soube compreender as razões, toda a história de vida que M. trazia e por fim, o equívoco que ele havia se metido.”
T.A.
“(…) também não entendo o adultério e só posso falar pelas minhas experiências:
não consegui colocar o par de chifres que meu ex-merecia. Tive oportunidade. E
muito desejo. Se eu bancasse tudo sozinha teria comido o cara tranquilamente. Queria experência inédita. Diferente. Que valesse a pena. Mas quanto mais tempo passa, mais acho que foi a melhor opção. Não enfeitar de cornos o FDP. Por mim. Valeu não ter me traído. Não ter traído minha integridade. Mas acho também que não traí porque não me sentia desejada da forma como queria ser, ou por não ter conseguido um motivo que justificasse eu me entregar ao grande narcisismo que é uma paixão. Desejo de ser desejada é egocentrismo. Acho que me libertei disso. Por um tempo…. Sempre penso nos outros envolvidos. Não consigo pensar só em mim. Para eu ficar bem, tenho que estar de acordo, em harmonia com meus valores. Aqueles motivos que justificam uma vida. E concordo que ninguém precisa trair hoje. Tudo podemos. Desde que com dignidade. Sem nos escondermos de nós mesmos.”
Opiniões sobre o vídeo (de pessoas que ainda não tinham lido o livro):
- Rafael disse que não é muito de acompanhar questões éticas. Respondi que não tem ética alguma eu dizer que a pessoa pode fazer o que bem entender e que, por isso mesmo, não faz sentido armar a enorme produção de mentiras e disfarces que acompanha um caso;
- Rosa Amanda espera muita discussão a respeito, quando o livro sair. Bem, eu menos: afinal, o que há para discutir sobre se jogar inteiro nas escolhas que se faz??
- Paulinho descobriu outro vídeo com o mesmo nome ‘nada a dizer’!!!! cacilda!!!!, ó gente, é esse aqui, pô;
- Floriano achou o vídeo meio longo e com uma linguagem não adequada, mas que descrevi bem ”o que seja traição a si mesmo em um suposto projeto de busca do outro”. E eu gostei de ler essas palavras dele, achei que era uma maneira legal de dizer o que eu disse (sim, para um livro que se chama ‘Nada a dizer’, o que vou fazer);
- O Saint ficou pensando no que eu digo, e se achando meio torto. Pois é, acho que uma situação de adultério deixa todos os envolvidos assim, sem vencedor;
- Renata me reconheceu como sempre em queda livre. Ai, Renata, pior que é, e como sempre sem rede de proteção…;
- Robson foi o único até agora a achar o vídeo engraçado. Adorei, porque eu também acho que tem uns lances engraçadíssimos por lá;
- Lilian acha que, nas situações como a descrita, o difícil é a pessoa se dar conta exatamente do que está vivendo;
- O que Oswaldo mais apreciou foi a sacada de que o adultério é uma opção conservadora, sob a capa falsa de liberalismo; e acrescenta que também não viu referência à ética, mas a uma psique da atualidade;
- Anibal não gosta de nada nesse vídeo: reclama que nele faço propaganda do livro, coisa que digo ser contra, e acrescenta que estou muito feia. Bem, Anibal me conhece há mais de trinta anos, e eu de fato era mais bonita e, naquela época, muito, muito mais xiita…;
- Álvaro pediu licença para pegar o que eu falo sobre a questão da fragmentação para fazer uma citação no novo livro dele. Em tempo, isso daí, sobre a fragmentação, quem fala muito melhor do que eu é o Vladimir Safatle;
- Patrizia achou enigmático, mas ela é italiana, vai ver não entendeu bem o português. Em todo caso, aqui vai um resuminho: nesse vídeo falo das minhas dificuldades em escrever o livro, que tem um crime relacionado a um adultério. Digo que não entendo como alguém pode querer ter amante, nos dias de hoje, em que você pode fazer o que bem entender de sua vida, sem precisar portanto armar todo o circo de mentiras e encobrimentos. Voilà;
- Edu não gostou do vídeo (“excessivo”), mas gostou do título do livro, que é perfeito, disse, para infidelidades. Já eu prefiria ’isso não é nada, disse ele’, que foi o primeiro título que sugeri aos editores, recusado por causa da vírgula;
- Camila P. comenta que não deve ter sido leve fazer esse livro. Nem o livro nem o vídeo, Camila. O livro porque para mim escrever nunca é leve, e o vídeo porque me escondi atrás de óculos escuros minha vida inteira, e estava ultra desconfortável em me filmar, mesmo sozinha na casa, eu e a gata;
- Lima T. gostou do descarte das metáforas (o fato de o contar a história estar sempre dentro da própria história); da referência aos outros livros (o fato de a personagem narradora ser sempre quem faz a transgressão), e gostou até mesmo da duração do vídeo;
- Marcia T. acha que estou sendo dura. Eu e Caró temos um private joke: quando a vida nos apresenta uma ponta de faca, uma porta fechada, uma pedra no caminho, dizemos uma para outra ’soy dura e puedo ser durissima’. É uma citação. E, Marcia, gostaria muito de dizer, aqui também, que puedo ser duríssima…;
- Carlos R. acha a mesma coisa: minha lógica é impecável, mas paixões e paixonites não seguem a lógica. Nem eu, nem eu, Carlos. Leia o livro, depois me diga;
- José A. ficou pensando em três coisas: feminismo, morte e transgressão. Não entendi o feminismo. Afinal, tanto faz quem transa e com quem transa - homem, mulher, legume ou animal de pequeno porte. Ah, e tem mais, quando digo que não entendo o adultério, o que não entendo não é ter o caso, é manter o casamento! Presta atenção: no vídeo, a frase é: ‘por que, porra, ficar casado’, e não ‘por que, porra, ter um caso’;
- Rildo não entende adultério e, aliás, nem o casamento. Mas vai ler o livro porque acha que o conceito de intimidade vale uma reflexão;
- Minha mãe (92 anos) não viu o vídeo, mas quando soube do assunto perguntou correndo: ‘você teve um caso, Elvira?!’ Nããão, manhê;
- Bia H. diz que longo ‘Os sertões’ também é. E dá parabéns para mim e para a preta. Nem sei como dizer isso, mas minha gata morreu essa semana. O que ficou dela é esse miado na gravação do vídeo e a certeza de que, para mim que sou tão torta na vida, um gato preto e morto só pode ser sinal de boa sorte;
- Anna luiza gostou mais dos trechinhos que cito do livro do que do vídeo em si. É uma opção pela leveza. E já que é assim, aqui vai uma sugestão de trilhas sonoras. Eu fico do lado do Gil em ‘prefiro ter toda a vida a vida como inimiga / a ter na sorte da vida / minha sorte decidida’. E o pessoal que não gosta de fazer escolhas fica com o Zeca Pagodinho em ‘deixa a vida me levar’;
- Renato P. achou o vídeo o máximo. Nada mais brega do que adultério, diz ele – que é exatamente o que eu disse na entrevista para a Rádio Unesp. Aliás, o pessoal de 20 anos (caso dele) acha essa história de mentir para trepar uma coisa muito esquisita;
- Discutindo identidade fragmentada versus tentativas de integração, Flavio me mandou ler esse poema do Drummond:
É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.
É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.
E depois acrescentou que ele, Flavio, não acredita que alguém tenha de fato identidade integrada. E precisei explicar (inclusive para mim mesma), que integração é sempre temporária e parcial;
- Sérgio V., que também é escritor, se identificou como mais um assassino da ordem básica do mundo. E é outro que escreve em guardanapinho no meio do restaurante.
arquivos internos de ‘nada a dizer’:
trecho & vídeo
críticas na mídia
.December 29, 2009