ELVIRA VIGNA: PRIMEIRA PÁGINA – novidades

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livputasp

resenhas

(a última é a do alfredo monte em 22/11/2016)

 

 

encontro no anhembi tênis clube (sp) dia 08 de dezembro, 20h00.

 

comentário de tereza andrade, editora (por email):

Demorei a aprender a te ler, Elvira, se é que aprendi. Falar sobre o que você escreve me é uma ousadia temerária, mas vou arriscar. Ando relendo seus livros anteriores e eles estão vivos, pulsando. Passo nos lugares onde me encontrei um dia e percebo, isso já fui , hoje não mais, ando caminhando agora por aqui e a sua literatura me acompanha nesse processo.

No último livro, ‘como se estivéssemos em palimpsesto de putas’, encontro a narradora cujo sonho é reformar uma velha livraria, a transformando num local de encontros de gentes e artes. A livraria é no térreo de uma editora em vias de falir, onde a narradora vai todos os finais de dias encontrar um dos funcionários, numa sala que não é deles e que funciona tortamente como um consultório de psicanálise.

Sala cheia de estantes com livros de gente vaidosa. Ela empresta seu ouvido para um rapaz que conta sua vida de programas com putas. Como com elas, ele também não a enxerga de corpo inteiro , mas a narradora o escuta por dentro . E o analisa, como analisa a obra de Coubert: uma mulher cujo centro é a origem do mundo, desprotegida, passiva, sem cabeça e sem voz. Mas cuja cabeça e voz dão origem ao mundo que eles inventam. Ela observa as cidades, os edifícios e as outras pessoas que passam e que eles encontram entre uma sessão e outra. Enquanto isso vamos sabendo de casamentos idealizados sendo desconstruídos e gargalhamos para nos aliviar das nossas tolas ilusões retas, perfeitas e vazias. Conhecemos inúmeras outras mulheres putas tão possíveis de serem amadas quanto qualquer outra de qualquer lugar ou profissão.

Talvez seja essa mesma uma das ocupações da literatura. Escutar as pessoas e lhes dar uma história. Ver o mundo por dentro, nas suas tolices e pequenezas. Suas narradoras sempre se emocionam com olhares, abraços, silêncios e choros, Elvira. Diante do inarrável, resta o choro. Um choro que pode nos ajudar a fazer mudanças. Que dilua nossas certezas e nos leve ao encontro do que somos e buscamos, como acontece com a personagem. Reescrevendo camada sobre camada. Um palimpsesto.

 

.6 de November de 2016